Veja também
A situação no Oriente Médio, contudo, permanece tensa. Os houthis, apoiados pelo Irã, continuam lançando mísseis e drones contra o território saudita, mas ainda não está claro se esses ataques afetaram os fluxos de petróleo do maior exportador mundial.
A previsão da Agência Internacional de Energia (AIE) merece atenção. Agora, espera-se que o consumo global de petróleo diminua 2,6 milhões de barris por dia neste ano — 100 mil barris por dia a mais do que se estimava há um mês. Segundo a agência, o crescimento da demanda em termos anuais só deverá ser retomado em março. A demanda mais fraca beneficia os consumidores de petróleo, principalmente na Ásia e na Europa, enquanto os produtores enfrentam preços mais baixos em meio a riscos logísticos persistentes.
Ainda assim, o mercado continua apertado após meses de perturbações relacionadas ao conflito entre os EUA e o Irã, que elevaram o preço do Brent em mais de 70% desde o início do ano. Os consumidores estão recorrendo aos estoques, e as reservas terrestres de petróleo bruto caíram para níveis próximos dos mais baixos em pelo menos dez anos. Os custos de frete também aumentaram devido às interrupções no transporte marítimo, ampliando a pressão sobre o mercado físico. Por esses motivos, a queda dos preços de hoje não pode ser considerada uma reversão duradoura: o déficit estrutural de oferta permanece.
A logística no Oriente Médio também está se deteriorando. Um número crescente de petroleiros está evitando as áreas habituais de carregamento, o que indica que a intensificação dos ataques iranianos contra o transporte marítimo está dificultando as exportações. Ao mesmo tempo, notícias da imprensa indicam que os EUA estão considerando flexibilizar as sanções impostas a embarcações da chamada frota clandestina, que transportaram petróleo da Rússia, do Irã e da Venezuela, com o objetivo de aliviar as tarifas globais de frete. Essa medida poderia liberar algumas embarcações, mas ainda não está claro se as empresas as utilizariam.
As perspectivas diplomáticas para a redução das tensões continuam incertas. Esse cenário aponta para um conflito prolongado e estagnado, no qual notícias positivas ocasionais são seguidas por novos ataques. Um retorno às hostilidades em grande escala poderia provocar uma nova disparada dos preços.
Embora os houthis ainda não tenham interrompido as exportações sauditas e a demanda esteja enfraquecendo, o Brent provavelmente permanecerá em torno de US$ 104 por barril e poderá recuar ainda mais na ausência de ataques significativos. No entanto, não considero esse um cenário confiável: os estoques estão em mínimas de vários anos, os custos de frete estão elevados e um "conflito congelado" ainda traz o risco de uma escalada repentina.
Análise técnica — petróleo
Os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 96, para buscar o nível de US$ 100, acima do qual um rompimento será difícil. O alvo de alta mais distante está na região de US$ 104. No cenário de baixa, os vendedores tentarão assumir o controle do nível de US$ 82. Se forem bem-sucedidos, o rompimento para baixo da faixa de negociação poderá prejudicar significativamente as posições compradas e levar o petróleo a US$ 89, com possibilidade de queda adicional até US$ 87.